Tudo junto e misturado? A relação do dinheiro nos relacionamentos

Texto de Sergio Savian

Hoje eu quero falar sobre dinheiro e relacionamento. Como é que você lida com isso?
Pergunto: você ainda obedece às leis do machismo que determina que o homem é quem paga as contas? Ou você já se adaptou ao século XXI, quando homens e mulheres trabalham e são donos do seu próprio nariz e também dos seus gastos?
A forma com que você se relaciona com o dinheiro diz muito do que sente e pensa. Pode ser que você acredite que o mundo lhe deve algo. Talvez porque tenha tido pais faltantes e quando se tornou  adulto, transferiu para as pessoas do seu convívio a responsabilidade de sustentá-lo. Pode ser que você se sinta culpado, e por isso acredita que deve se responsabilizar pelos outros.
Mas enquanto n√£o tiver consci√™ncia de si, deixando de projetar ¬†nos outros ¬†o pai, a mam√£e ou o filho, estar√° construindo rela√ß√Ķes capengas, que mais cedo ou mais tarde ir√£o desmoronar. Por isso esta quest√£o deve ser muito bem pensada.
Os relacionamentos saud√°veis exigem muita confian√ßa e para isso h√° que ser verdadeiro. Mas isso n√£o significa que deve confessar cada passo que voc√™ d√° na vida, tampouco investigar o outro como um fiscal, um policial. O amadurecimento de qualquer pessoa precisa ¬†evoluir da situa√ß√£o simbi√≥tica, do tudo “junto e misturado”, para a diferencia√ß√£o e a individua√ß√£o. Voc√™ adquire sua pr√≥pria autonomia e concede esta mesma autonomia ao outro.
Com relação ao dinheiro, é razoável que tenha uma ideia de quanto seu parceiro ganha, mas não há necessidade de entrar em detalhes. Se você tem uma vida conjugal ou mesmo familiar, é justo que as despesas sejam divididas proporcionalmente ao que se ganha. Mas também é importante que cada um tenha uma certa quantia para o destino que bem entender, sem dar satisfação.
Talvez esta seja uma boa fórmula para lidar com o dinheiro no relacionamento. Desta maneira, é possível fazer uma  combinação que seja justa,levando em conta o comprometimento e a responsabilidade necessários, mas que ao mesmo tempo, reflita a fundamental liberdade de continuar sendo você mesmo.
“Tudo junto e misturado” n√£o √© algo saud√°vel para o desenvolvimento do indiv√≠duo. Por isso, √© poss√≠vel confiar, mas se perder a forma, sem perder o contato consigo e assim, manter ¬†uma rela√ß√£o viva e feliz.

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Semeadura

Sua generosidade chamar√° a bondade alheia em seu socorro.

Sua simplicidade solucionar√° problemas para muita gente.

Sua complexidade provocará muita dissimulação no próximo.

Sua indiferença fará manifesta frieza nos outros.

Seu desejo sincero de paz garantir√° tranquilidade no caminho.

Seu propósito de guerrear dará frutos de inquietação.

Sua franqueza contundente receber√° frases rudes.

Sua distinção edificará maneiras corretas naqueles que o seguem.

Sua espiritualidade superior incentivar√° subimes constru√ß√Ķes espirituais.

Diariamente semeamos e colhemos. A vida é também um solo que recebe e produz eternamente.

Andr√© Luiz, psicografado por Francisco C√Ęndido Xavier

 

Por que o personagem Jos√© Alfredo da novela Imp√©rio caiu no gosto do p√ļblico em uma √©poca em que s√≥ os vil√Ķes s√£o amados?

Entrevista com Sergio Savian para o Portal UOL 

Quais as cinco principais características que você ressaltaria no perfil de José Alfredo, o protagonista de Império?
José Alfredo é um líder, um homem de punho, que assume o comando.
Ele toma decis√Ķes arriscadas, mas ao mesmo tempo se mant√©m no controle. Tem muita auto-confian√ßa.
Sofre quando as coisas n√£o acontecem do jeito que deseja. √Č obsessivo-compulsivo, beirando ao TOC. Odeia a injusti√ßa.
Ele mistura potência, afetividade e lealdade à mulher que ama. Dá valor à família, ama seus filhos. 

Qual sua opini√£o sobre o fato de ele ter conquistado o p√ļblico ap√≥s algumas tramas em que s√≥ os vil√Ķes conquistam os telespectadores?¬†
José Alfredo mistura poder, generosidade, senso de justiça, romantismo e uma forte libido, o que o torna uma espécie de sonho de consumo para as mulheres e um forte modelo para os homens. Ele tem um lado que ajuda os que necessitam  e outro justiceiro, que bate. Não podemos dizer que ele é absolutamente bom ou mal, o que o torna bem humano. 

Um dos apelos do personagem √© a virilidade. Um homem na casa dos 50 anos, que √© um amante viril, rom√Ęntico… isso incendeia o imagin√°rio feminino?
Aos 50 anos, o mais comum é uma forte queda nas taxas de testosterona, que implica um rebaixamento na potência sexual. São poucos homens que, no auge de sua maturidade, ainda se mantém viris. A mistura de sua vivência pessoal e profissional com a capacidade de se apaixonar e se dedicar ao amor o coloca em uma posição invejável. 

Ele é um nordestino, que venceu na vida trabalhando muito. Esse também é um ingrediente para exemplificarmos o motivo de seu carisma?
As hist√≥rias de supera√ß√£o costumam fazer sucesso. No caso de Jos√© Alfredo, ele se supera in√ļmeras vezes. √Č uma esp√©cie de gato de 7 vidas. A imortalidade tamb√©m √© um sonho de muita gente. Sabemos tamb√©m que os nordestinos s√£o mais quentes no sexo. Supera√ß√£o, sensualidade e mist√©rio o tornam fortemente desej√°vel.

José Alfredo é um homem real na sua opinião? 
√Č muito dif√≠cil encontrar um homem desses na vida real: algu√©m com tanto poder e ao mesmo tempo que funcione a partir do cora√ß√£o. Ao mesmo tempo, isso √© tudo o que estamos precisamos, afinal o poder anda nas m√£os de pessoas inescrupulosas, corruptas e mentirosas. O mundo est√° carente de grandes l√≠deres e Jos√© Alfredo sintetiza um olhar firme, uma figura paterna que muita gente est√° buscando.

Sergio Savian é psicanalista especializado em  relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

A dificuldade em estabelecer vínculos afetivos

Entrevista com Sergio Savian* para o Portal UOL
A dificuldade em estabelecer vínculo afetivo pode ser considerada uma doença?
Podemos dizer que as pessoas que não estabelecem vínculos afetivos têm uma dificuldade originada na formação de sua personalidade. Elas possuem mecanismos para se defender do envolvimento que lhes parece muito ameaçador. Em algum momentos de suas vidas deixaram de confiar nos outros.

Quais características denunciam o problema?
S√£o pessoas que se isolam, n√£o t√™m paci√™ncia para conviver com as diferen√ßas, muitas vezes t√™m vida sexual ativa, sem aprofundar-se nas rela√ß√Ķes. Falta-lhes paci√™ncia, toler√Ęncia ou mesmo humildade para conviver com intimidade.

O que leva uma pessoa a desenvolver isso? Medo de sofrer, de ceder, de ter que dividir o espaço, os momentos?
Estas pessoas estão fixadas em uma posição narcisista, e isto significa que vivem na ilusão de se bastar, de não precisar dos outros. Muitas vezes são hipersensíveis e têm medo de se machucar. Noutras, falta sensibilidade para a convivência íntima.

Uma pessoa que evita relacionar-se amorosamente pode ter problema em lidar com suas pr√≥prias emo√ß√Ķes? Isso pode acontecer devido algum trauma como separa√ß√£o, trai√ß√£o?
Os relacionamentos na vida adulta somente vem a confirmar as quest√Ķes bem ou mal¬† resolvidas que tivemos na vida infantil. Nossos relacionamentos costumam acontecer como extens√£o das rela√ß√Ķes que tivemos com a fam√≠lia original. Uma crian√ßa que recebe amor, introjeta este sentimento, e na vida adulta, sente que tem muito a ¬†oferecer. Na rela√ß√£o com nossos familiares adquirimos h√°bitos comportamentais mais ou menos saud√°veis. Ao analisarmos a hist√≥ria de algu√©m que n√£o consegue se vincular afetivamente, encontraremos motivos que o fizeram se retrair.

Pessoas que n√£o querem ter este tipo de v√≠nculo tendem a se isolar, evitar qualquer contato (beijo, abra√ßo, sexo), ou podem apenas apostar em rela√ß√Ķes casuais, que n√£o estabelecem algum tipo de afeto? ¬†
√Č isso mesmo. Existem duas formas de estar sozinho. Uma delas √© evitar totalmente o contato, outra √© ficar com muita gente, descartando as pessoas antes mesmo de aprofundar a rela√ß√£o.

Podemos dizer que quem enfrenta este tipo de dificuldade nunca se apaixona? Ou pode se apaixonar, porém vai encontrar maneiras para fugir da relação?  
Muitos nem chegam a se apaixonar, tamanha a defesa; outros, apaixonam-se com bastante facilidade, mas não conseguem ir adiante com a relação. Acionam mecanismos de defesa para escapar da intimidade. Inventam desculpas, racionalizam, acusam os outros, ficam chatas e assim por diante.

Isso pode ter origem devido à criação recebida em família?
Na primeira inf√Ęncia, at√© os 4 ou 6 meses de idade, n√£o temos condi√ß√Ķes de enxergar a m√£e como um ser completo, com suas qualidades e defeitos. Temos a fantasia de que ela possui tudo o que precisamos. Com o passar do tempo, nos damos conta que a mesma m√£e que nos alimenta e nos cuida, tamb√©m nos falta. Devido √† imensa¬† depend√™ncia e vulnerabilidade, desenvolvemos uma ansiedade paran√≥ica, fantasiando a perda da m√£e. A partir do segundo semestre de vida j√° temos a percep√ß√£o de que a m√£e n√£o √© perfeita e passamos a aceit√°-la da forma que ela √©. Pessoas que n√£o conseguem se vincular s√£o perfeccionistas, est√£o fixadas em uma posi√ß√£o infantil. N√£o entendem que ningu√©m √© perfeito, nem mesmo os relacionamentos o s√£o.

A timidez pode levar a isso? Qual a diferença entre timidez e dificuldade em estabelecer vínculo?
A timidez, a dificuldade de se comunicar, de se expressar, o excesso de preocupação consigo mesmo, a incapacidade de ver o outro do jeito que ele é, tudo isso pode levar ao isolamento, mas não é só isso. Existem pessoas bem articuladas que também não se vinculam. Estas têm outros motivos. Por exemplo, não conseguem juntar numa só pessoa as características que procura. Buscam por um ideal que não existe.

√Č poss√≠vel tratar o problema? De que forma?
Sim. Por meio de uma boa an√°lise, compreendendo a pr√≥pria hist√≥ria e os fatores que o levaram a se defender tanto do amor, √© poss√≠vel mudar este padr√£o. √Č poss√≠vel experimentar as rela√ß√Ķes de outra forma, diferente daquela que aprendeu em sua forma√ß√£o.

Qual √© o maior desafio para enfrentar o problema: desenvolver confian√ßa, lidar com as emo√ß√Ķes, aprender a conviver com outro?
Tudo isso junto: confiança e entrega são fundamentais. Conviver e resolver com os conflitos, uma boa dose de generosidade, e principalmente o autoconhecimento, tudo isso conta.

Existem muitos casos diagnosticados? √Č um problema atual, das novas gera√ß√Ķes?
Boa parte das pessoas que me procuram apresentam este problema. Os tempos atuais nos proporcionam muitas possibilidades de fuga, como √© o caso do v√≠cio em internet, drogas, √°lcool, trabalho e outras compuls√Ķes que nos ocupam e nos desviam do contato com a realidade. Tudo isso nos afasta da intimidade com a gente mesmo e com os outros.

* Sergio Savian é psicanalista clínico especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Todo mundo quer amar

Texto de Sergio Savian

Todo mundo quer amar. Assim a vida n√£o passa batida. H√° quem tenha desistido, mas cada um do seu jeito, todos t√™m o direito. Dos desejos, √© o mais complicado, pois de nada adianta s√≥ a sua boa vontade. O amor √© selvagem e n√£o pode ser compreendido, tampouco aprisionado. √Č da ordem do mist√©rio, que s√≥ pode ser vivido.
O amor exige uma intelig√™ncia que n√£o depende da cultura, do curr√≠culo, do dinheiro. Isto n√£o importa. √Č preciso ter …sabedoria para acertar o passo com o tempo que n√£o √© s√≥ seu.
Não dá para pedir ou cobrar o amor, muito menos para exigir. Também não é uma questão de fazer melhor ou pior, nem de buscar o reconhecimento.
Com o tempo você entende que o amor sempre esteve presente, e que faz parte da nossa natureza.
Daí você para de procurar, de se esforçar, de disfarçar, de fugir, e simplesmente o deixar fluir.

Sergio Savian é psicanalista clínico, especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Amor além da net

Texto de Sergio Savian*

Voc√™ inicia, desenvolve e termina rela√ß√Ķes por smartphones! N√£o acredito que algu√©m possa satisfazer-se plenamente na superficialidade desses relacionamentos virtuais. Prefiro o amor poss√≠vel, na vida real. Para isso √© preciso olhar para dentro de si e ter a coragem de estabelecer contatos de verdade.
Ultimamente presenciamos fatos estonteantes: doen√ßas, tsunamis, furac√Ķes, seca, enchentes,¬† corrup√ß√£o, viol√™ncia, compondo um cen√°rio complicado para a humanidade. Mas chegamos a um ponto que n√£o d√° mais! Parece que a ordem da natureza agora √© limpar o que est√° sujo, fazer uma faxina geral e quem sabe assim, recome√ßar em outros termos, com mais verdade e menos hipocrisia.
Também o jeito que temos nos relacionado, com muita imagem e pouca autenticidade, nos leva a um beco sem saída. Por isso não podemos mais continuar no mesmo canal.
A natureza reage, buscando violentamente retomar o equil√≠brio perdido. E os relacionamentos pedem o mesmo movimento. N√£o √© mais poss√≠vel estar junto de algu√©m, de uma forma decente, se voc√™ n√£o tiver a capacidade de se olhar, de se consultar, de fazer uma revis√£o na maneira com que vem se relacionando. Para isto √© fundamental que se pergunte quem voc√™ √©, o que quer ou n√£o para si mesmo. Sem o autoconhecimento voc√™ fica sem refer√™ncia pr√≥pria e n√£o sabe se colocar com clareza nas rela√ß√Ķes.

Agora é hora da verdade, inclusive para entender que cada um tem o amor que merece. Esta frase parece um tanto cruel, mas é a pura realidade. Você tem sua maneira de se ser, de se comunicar, de se relacionar e aproxima as pessoas que estão em sintonia com o seu jeito.

Quanto mais se dedica ao próprio crescimento você descobre que existem outras formas de estar junto, com mais dignidade, prazer e consciência. Muda as expectativas que tem dos relacionamentos. Em vez de buscar o homem ou a mulher ideal nas redes sociais, presta mais atenção no que você tem a oferecer. Diante de tantos problemas, você desenvolve a humildade, sai da disputa dos egos, para viver bem e se unir aos outros para uma vida mais criativa, com mais prazer e profundidade.

Transformando-se, você aumenta as chances de viver um amor mais bonito.

Por isso, a base de relacionamentos saudáveis deve ser a verdade de cada um, muito mais que o faz de conta do super homem ou da super mulher que só existem quando editados nas revistas ou na telinha da Internet.

*Sergio Savian é psicanalista clínico, especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Raz√Ķes que levam muitas pessoas a viver sozinhas

Entrevista com Sergio Savian para a revista Vox Objetiva

O que leva uma pessoa a querer ficar só, viver sem um parceiro, uma parceira?
Algumas pessoas j√° tiveram algumas experi√™ncias amorosas e a partir delas chegaram √† conclus√£o de que n√£o querem mais se envolver, ao menos da forma tradicional. Outras, n√£o o conseguem apesar de sua grande expectativa de se relacionar. Por isso, devemos analisar cada um com sua hist√≥ria e suas particularidades. No geral, o relacionamento amoroso exige um amadurecimento da personalidade que nem todos t√™m. Muitos se relacionam do jeito que sabem, de qualquer forma, mas isso n√£o significa que s√£o felizes no amor. Outros, mais perfeccionistas, idealizam relacionamentos que nunca encontram na pr√°tica. Estes √ļltimos, mais exigentes, costumam ficar s√≥s.¬†

Quais s√£o as poss√≠veis explica√ß√Ķes para a origem de uma completa avers√£o a relacionamentos, a chamada “namorofobia”?
√Č bem prov√°vel que algu√©m que se encontra nesse estado de √Ęnimo, fechado para qualquer possibilidade de se relacionar, tenha adquirido esta avers√£o a partir de traumas em sua inf√Ęncia. A crian√ßa √© totalmente vulner√°vel e dependente dos pais e quando passa por uma situa√ß√£o de perigo, ela deixa de confiar e se anestesia para o sentir. √Č assim que se forma um car√°ter neur√≥tico que tende a se perpetuar por toda a vida.

Isso tende a acometer mais homens ou mulheres? Existe uma explicação para isso?
Esta não é uma questão de gênero. Tanto homens como mulheres pode estar com o coração fechado, amedrontados com a possibilidade de se entregar a uma relação. Culturalmente falando, as mulheres são mais condicionadas que os homens a casar, mas isso não significa que elas se entregam de fato à relação. Elas simplesmente cumprem melhor a ordem social. 

Qual o tipo de tratamento nesses casos?
Para sair deste aprisionamento é preciso que você passe por uma boa psicoterapia, quando é analisado mediante o levantando do seu  histórico e dos motivos pelos quais você se fechou. Esta análise deve ser realizada por um profissional competente, com conhecimentos teóricos suficientes e capacidade técnica para ajudá-lo a se libertar de seus complexos.

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Cresce o n√ļmero de solteiros

Entrevista com Sergio Savian

54,3% da população brasileira é solteira. Por quê isso? As pessoas têm preferido estar solteiras ou não?
Ser casado est√° deixando de ser uma obriga√ß√£o e se torna cada vez mais uma op√ß√£o. Antigamente, para voc√™ ocupar um cargo p√ļblico ou uma boa posi√ß√£o em uma empresa era necess√°rio que voc√™ fosse um chefe de fam√≠lia. Hoje este n√£o √© mais um requisito, tanto que a presidenta, dentre outros importantes administradores p√ļblicos e outras personalidades importantes do pa√≠s, s√£o solteiros. Sendo assim, √© muita gente que pensa muitas vezes antes de casar, avaliando bem os pr√≥s e contras de se comprometer. A carreira, a liberdade de ir e vir, a vida mais pragm√°tica, tudo isso tem influenciado grande n√ļmero de pessoas que escolhe ficar s√≥.¬†

SP, MG e Rio são os estados com mais solteiros, segundo IBGE. As grandes cidades têm realmente esta tendência? Se sim, por quê isso acontece?
Nas grandes cidades existe menos controle sobre o comportamento das pessoas e isto as ajuda a ter mais autonomia, o que significa muitas vezes, n√£o casar. Estes grandes centros s√£o marcados por lugares de passagem como supermercados, aeroportos, rodovi√°rias, metr√ī, onde as pessoas circulam sem que ningu√©m as conhe√ßam. Estes “n√£o lugares” providenciam rela√ß√Ķes impessoais, ficando muito mais dif√≠cil criar v√≠nculos (a Internet tamb√©m pode ser considerada um “n√£o lugar”, ¬†onde voc√™¬† n√£o precisa se identificar necessariamente). ¬†Al√©m disto, nas grandes cidades, gasta-se muito tempo nos deslocamentos, trabalha-se mais e sobra menos tempo para se dedicar √†s rela√ß√Ķes.

Qual a principal característica dos solteiros?

Creio que hoje em dia as palavras solteiro e casado são insuficientes para definir a condição de alguém. Há muitas formas de casar e de estar solteiro. Existem solteiros felizes e outros infelizes. Alguns solteiros querem muito encontrar alguém, outros não. Existem solteiros com vida sexualmente ativa e outros que  vivem num celibato forçado. Enfim, você pode estar só, bem ou mal acompanhado. 

As pessoas que o procuram estão sempre a procura de alguém (na maioria)? Ou não?
Muitos me procuram porque se sentem inaptos para conquistar algu√©m, outros me procuram porque n√£o conseguem manter um relacionamento. S√£o muitos que pessoalmente se restringem √† vida virtual, sentem-se isolados e n√£o est√£o satisfeitos com isso. E outros simplesmente querem ser felizes. Meu trabalho consiste em ajudar as pessoas a se tornarem conscientes de suas aspira√ß√Ķes mais profundas, independentemente de virem a se casar ou n√£o. Trabalho com aconselhamento, psican√°lise e cursos que funcionam muito bem para expandir a consci√™ncia, sentir-se mais livre e apto para amar.¬†

Qual o principal ‚Äúerro‚ÄĚ de quem est√° solteiro e quer estar com algu√©m? O que fazem que acabam ‚Äúespantando‚ÄĚ o outro?
Talvez o principal erro seja a obsess√£o por encontrar algu√©m. O trabalho deve concentrar-se na descoberta das caracter√≠sticas anti-sedutoras como a inseguran√ßa, a timidez, a express√£o desajeitada, por um lado,¬† e a consci√™ncia do que voc√™ tem de melhor para oferecer ao outro. Al√©m disto, √© preciso trabalhar a linguagem verbal e corporal que tanto influenciam as rela√ß√Ķes. Tudo isso exige autoconhecimento. Mesmo o contato que fazem por Whatsapp, por SMS¬† ou pelo Face deve ser revisto, uma vez que estas linguagens preponderam nas comunica√ß√Ķes.¬†

Existem consequências para a sociedade por ter mais pessoas solteiras? Se sim, quais?
Creio que estamos vivendo um momento de superpopulação e a solteirice pode ser um caminho para conter a reprodução humana. Se, por um lado, sendo solteiro você se torna mais egoísta, por outro, é possível dedicar-se a ter mais consciência de si e aprender a se relacionar de uma maneira mais autêntica. De toda forma, somente nos relacionando é que teremos a possibilidade de crescer efetivamente. 

Você acha que o mercado consumidor tem feito mais produtos voltados aos solteiros? Essa é a tendência?
Sim. Hoje em dia existem muitos produtos e servi√ßos direcionados para os solteiros. Exemplo disto s√£o as por√ß√Ķes de alimentos nos supermercados e nas feiras livres que s√£o oferecidas em menores quantidades. Baladas, bares, cinemas, sal√Ķes de beleza e outros servi√ßos est√£o cada vez mais atentos aos solteiros. Mas talvez o mercado virtual seja o que mais tem se desenvolvido por meio de aplicativos e servi√ßos virtuais dedicado √† aproxima√ß√£o de pessoas.¬†

Quais são as cinco dicas, por exemplo, que poderíamos dar para quem quer deixar de ser solteiro?
- Saia de casa e frequente lugares onde voc√™ possa se encontrar com outras pessoas. Aceite convite para festas ou reuni√Ķes.
- Faça cursos para o desenvolvimento de seus hobbies e talentos.
- Faça contatos pela internet, aplicativos e redes sociais, mas vá além, passando do virtual para o real.
- Mostre interesse pelo universo dos outros e exponha o que sente e pensa. Assim você sai do isolamento e se abre para ter intimidade com alguém.
- Dedique-se ao autoconhecimento para compreender melhor a sua relação com o mundo.

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Saiba se você é vítima de assédio moral em seu relacionamento amoroso

Entrevista com Sergio Savian para o Site Tempo de Mulher do Portal MSN

O assédio moral nos relacionamentos amorosos costuma passar despercebido?
Pode passar despercebido para quem n√£o est√° atento √†s nuances da comunica√ß√£o, pois nem sempre o ass√©dio √© claro, manifestando-se muito mais nas entona√ß√Ķes, mascarado por um tom de brincadeira ou mesmo na comunica√ß√£o n√£o verbal. De toda forma, a estrat√©gia daquele que assedia √© enfraquecer seu par, detonando sua auto-estima. √Č uma forma de exercer seu complexo de superioridade.

Quais as principais armas que os assediadores morais usam com as parceiras?
Existem muitas formas de fazer isto: deixar o outro esperando, prometer e não cumprir, dizer e desdizer, criticar, rebaixar, salientar os defeitos, por exemplo. O que interessa é colocar o outro para baixo, fazer com o que outro sinta-se devedor, não deixar que o outro cresça ou simplesmente seja ele mesmo. 

Que sinais/gestos indicam que a mulher é vítima de assédio moral do parceiro?
Devo dizer aqui que o ass√©dio moral pode ser feito por ambos os sexos. Quem √© assediado pode desenvolver algumas doen√ßas mentais, como s√≠ndrome do p√Ęnico ou depress√£o. Pode tamb√©m adoecer fisicamente em decorr√™ncia do mal estar ps√≠quico.¬†

Esse assédio moral na relação pode causar que tipos de danos para essa mulher?
O principal dano é a infelicidade. Você acaba acreditando que não serve para nada, desenvolve o sentimento de culpa e inferioridade. Não acredita mais na vida. 

Ela decidiu terminar com a viol√™ncia psicol√≥gica: termina ou tenta “arrumar a casa”?
√Č muito dif√≠cil “arrumar esta casa”, pois a din√Ęmica psicol√≥gica estabelecida √© bastante doentia. Trata-se de uma rela√ß√£o sadomasoquista, onde um √© s√°dico e o outro √© masoquista, podendo haver altern√Ęncia nesses pap√©is. Isto acontece porque cada um deles traz na sua estrutura ps√≠quica marcas profundas de rela√ß√Ķes neur√≥ticas estabelecidas na inf√Ęncia. Por isso mesmo √© importante que, cada um dos dois passe por uma boa an√°lise para que se libertarem deste comportamento.¬†

Essa mulher costuma se submeter a isso por receio de desagradar o parceiro?
A pessoa assediada tem um car√°ter masoquista de personalidade, uma vez que se submete a este dom√≠nio. Quando indagadas porque continuam na rela√ß√£o, apesar do ass√©dio, elas dizem que n√£o saberiam viver sem o agressor. Mas isto n√£o passa de uma fantasia. √Č bem prov√°vel que na inf√Ęncia ela tenha mantido uma rela√ß√£o de medo com um dos pais e acabou por acostumar-se com isso. Com a ajuda de uma boa terapia, ela vai se fortalecer at√© encontrar coragem para sair do c√≠rculo vicioso e declarar sua independ√™ncia.¬†

Que marcas psicológicas que ficam na mulher depois de encerrar uma relação assim?
Vamos pensar positivamente. Uma mulher que consegue sair desta din√Ęmica, a partir de um trabalho de autoconhecimento, fica mais fortalecida e atenta para n√£o repetir o mesmo erro, buscando parceiros que a tratem t√£o mal. Se n√£o passar por um processo de autoconhecimento, √© bem capaz que em sua pr√≥xima rela√ß√£o reproduza a mesma din√Ęmica sadomasoquista, porque √© isso que sabe fazer, pois √© isso que aprendeu desde cedo em suas rela√ß√Ķes familiares.¬†

O assédio moral pode continuar mesmo após o relacionamento ter terminado?
Alguns casais tendem a perpetuar este tipo doentio de relação mesmo depois do casamento, principalmente quando têm filhos e precisam continuar em contato.

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade especializado em relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

A ameaça da bissexualidade

Entrevista de Sergio Savian para O Site Notícias  da TV/UOL

Aguinaldo Silva, autor de Imp√©rio, tem explorado a bissexualidade dentro da rela√ß√£o protagonizada por Cl√°udio (Jos√© Mayer) e Leonardo (Klebber Toledo). Como L√©o, ap√≥s o fim do romance com o cerimonista, se envolve com Amanda (Adriana Birolli), e ela se apaixona por ele, nas redes sociais, muitas pessoas est√£o falando que isso √© ‚Äúcura gay‚ÄĚ. Al√©m do caso de Leo e Amanda, Xana (Ailton Gra√ßa), que se veste de mulher, passar√° a ter ci√ļmes de Nan√° (Viviane Ara√ļjo) e assumir√° sua identidade masculina como Adalberto. Ele a pedir√° em casamento, outro caso de invers√£o de homossexual para heterossexual na trama. Por isso, envio meus questionamentos.¬†

Qual sua opini√£o sobre o comportamento de Cl√°udio, que rompeu um romance de dez anos com Leonardo ap√≥s ser ‚Äúexpulso do arm√°rio‚ÄĚ, em amor √† fam√≠lia? A personagem Beatriz (Suzy R√™go), que aceita o bissexualismo do marido e declara seu apoio incondicional, existe ou n√£o na vida real?
Apesar do amor que sentiam um pelo outro, Cláudio e Leonardo se separam como medida preventiva, por medo da exposição e consequente represália da sociedade que este relacionamento poderia provocar. Caso eles fossem afeminados, ninguém iria se opor, mas o fato de serem dois homens másculos ameaça muita gente que não suporta a ideia que este tipo de amor aconteça na realidade. Grande parte dos homossexuais não transparecem que o são: homens e mulheres que trabalham, têm família e levam uma vida normal. Esta é a verdade. Também é fato que algumas mulheres sabem da condição de seus maridos e os aceitam. Não é somente uma ficção.

Leonardo, que manteve um romance gay por muitos anos, de repente se descobre bissexual. Isso pode acontecer? Como explicar essa situa√ß√£o sem cair na ‚Äúcura gay‚ÄĚ?
Isso n√£o tem nada a ver com cura gay. Para Freud n√≥s n√£o nascemos nem hetero nem homossexuais. Todos n√≥s temos estas duas possibilidades. No desenvolvimento da sexualidade de cada um, dependendo dos pais e da fam√≠lia em que somos criados, uma dessas posi√ß√Ķes prepondera. O que acontece √© que tanto a posi√ß√£o homossexual como a heterossexual podem estar recalcadas. Em outras palavras, podemos dizer que todo heterossexual tem dentro de si a possibilidade de sentir-se atra√≠do pelo mesmo sexo e dentro de cada homossexual tem dentro de si a possibilidade de sentir-se atra√≠do pelo sexo oposto. No fundo, tanto heteros como gays t√™m pavor do seu lado que est√° “dentro da arm√°rio”. Tamb√©m existe a possibilidade de alguns se desenvolverem como bissexuais, uma vez que nenhum dos lados seja reprimido. O que mais presenciamos √© um racioc√≠nio simplista de que voc√™ ou √© uma coisa ou √© outra.¬†

Como explicar as atitudes dessas duas mulheres que sentem atração por homens gays? Também existem na vida real ?
S√£o muitas as mulheres que se sentem atra√≠das por um homem gay. Isto pode ocorrer por alguns motivos. Um deles √© a proje√ß√£o de sua pr√≥pria homossexualidade no outro. Para Carl Jung, cada mulher tem um aspecto masculino em seu interior que ele denominou “√Ęnimus”. Ao escolher um homem para amar, algumas mulheres preferem um que seja parecido com seu homem interior, isto √©, um homem bastante sens√≠vel.

¬†Xana j√° deixou no ar que tinha interesse em Elivaldo (Rafael Losso), mas vai se revelar ‚Äúmacho‚ÄĚ e pedir√° Nan√° em casamento. Qual seu ponto de vista diante desse personagem?
Apesar de seu jeito de mulher, Xana vive em conflito com sua sexualidade. Ele(a) não sai com nenhum homem e a pessoa com quem realmente se sente bem é Naná. Xana se sente atraído(a) por homens mas tem uma moral interna que não permite que o fato seja consumado. Mesmo que se case com Naná, em seu mundo interior sempre estará em cima do muro. Seu desejo não está na mesma direção de sua moral interna. Este é um dos aspectos da bissexualidade. 

Quando voc√™ v√™ esses comportamentos em transforma√ß√Ķes na novela, qual a sua reflex√£o sobre essa abordagem do autor?
Creio que o autor est√° sendo corajoso ao colocar o tema da bissexualidade para ser debatido a partir da hist√≥ria que conta. Para a sociedade fica mais f√°cil compartimentar a sexualidade, classificando-a de forma simplista, dividindo o mundo entre gays e n√£o gays. Alias, esta √© a vis√£o do jornalista Theo Pereira, que n√£o consegue entender seu amigo de inf√Ęncia, o Cl√°udio, que √© bissexual.

¬†A milit√Ęncia GLBT condena muito a forma como os folhetins abordam causas gays. Agora, reclamam da promo√ß√£o da ‚Äúcura gay‚ÄĚ. Na novela anterior, criticavam o namoro beijo do casal de l√©sbicas de Em Fam√≠lia. Essa discuss√£o toda √© ben√©fica para a causa?
Isso mostra uma limita√ß√£o. Quem julga e condena os gays s√£o pessoas desinformadas, mas os gays fazem, muitas vezes, o jogo que lhes foi imposto pelos moralistas, assumindo posi√ß√Ķes t√£o radicais e intolerantes quanto daqueles que os criticam.

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos. saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br