Temos medo da solid√£o?

Entrevista de Sergio Savian para a Folha de S√£o Paulo

* O estudo (http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2014/07/07/interna_vidaurbana,514700/so-o-pensamento-como-companhia.shtml) fala sobre a dificuldade de ficarmos s√≥s com os pr√≥prios pensamentos. Primeiro, gostaria de saber sua opini√£o sobre o resultado da pesquisa. √Č realmente desagrad√°vel ficar s√≥ com os pensamentos, sem distra√ß√Ķes?
Não temos o hábito de ficar a sós com os próprios pensamentos. Desde pequenos somos educados para não ficarmos sozinhos, como se fosse algo muito ruim. Estamos sempre ocupados com algo, com alguém, com alguma atividade. A ordem é não entrarmos em contato com o que está em nosso mundo interior. Quase todos nós temos muito medo deste vazio, pois em algum momento de nossa vida isso representou algo muito ameaçador. Mas, ao fugirmos de nós mesmos, do que nos apavora, também nos distanciamos do que há de melhor em nós.

* Como a ideia de ficar s√≥ com os pensamentos, sem interven√ß√Ķes externas, se relaciona com o conceito de solid√£o? N√£o gostar de ficar sozinho, s√≥ pensando, √© o mesmo que n√£o gostar e temer a solid√£o?
Se voc√™ fica s√≥ consigo mesmo, sem nenhum est√≠mulo, com certeza entrar√° em contato com conte√ļdos que habitam o inconsciente e isto amedronta. ‚ÄúConte√ļdo latente‚ÄĚ √© um termo freudiano para falar de impulsos que¬† guardamos a sete chaves no inconsciente, muito carregados de energia,¬† buscando oportunidades¬† para se manifestar.¬† Estes conte√ļdos se relacionam com traumas e repress√Ķes do passado. O que est√° latente deseja vir √† tona, mas, como se trata de conte√ļdo perigoso e proibido, usamos mecanismos¬† para que ele n√£o se manifeste claramente. O que est√° recalcado no inconsciente pede passagem, mas a verdadeira hist√≥ria costuma ser barrada; afinal, a verdade nua e crua, n√£o √© para qualquer um. Por isso √© t√£o complicado ficar s√≥ com os pr√≥prios pensamentos. Entretanto, ao nos desviar dos pensamentos, de n√≥s mesmos, deixamos de obter consci√™ncia, e assim, empobrecemo-nos como indiv√≠duos.

* A pesquisa mostrou que os homens rejeitaram mais ainda a ideia de ficar só com os pensamentos. Os homens sabem menos como lidar com a solidão?
Todos n√≥s temos a capacidade da introvers√£o, quando nosso mundo interior adquire maior import√Ęncia; e da extrovers√£o, quando a aten√ß√£o est√° mais focada nos objetos externos a n√≥s mesmos. No geral, os homens s√£o mais extrovertidos que as mulheres. Por isso, eles t√™m mais dificuldade em lidar com os assuntos relacionados √† sua psique.

* Há dados que mostram que são as mulheres que muitas vezes tomam a iniciativa de terminar um relacionamento, como se os homens tivessem medo de ficarem sozinhos (ou preferissem manter um relacionamento ruim só para não ficarem sós). Isso faz sentido, qual é sua opinião?
Sim, faz sentido. Muitos homens ficam apavorados com a perspectiva de estarem sós, sentindo-se abandonados, sem capacidade de dar sentido à própria vida. Emocionalmente, eles são mais dependentes. Para alguns, isto significa permanecer na casa dos pais até a idade adulta; para outros, permanecer em relacionamentos, mesmo que estes não sejam muito bons.

* H√° 15, 20 anos, antes da superpopulariza√ß√£o da internet e dos smartphones, era mais comum ver pessoas sem distra√ß√Ķes em filas do banco, no √īnibus. Hoje os celulares s√£o onipresentes. Estamos desaprendendo a ficar ‚Äúsem fazer nada‚ÄĚ ou n√≥s nunca soubemos e essas ferramentas modernas s√≥ preenchem esse vazio?
Para entender melhor esta situa√ß√£o, imagine uma crian√ßa pequena, que na falta da m√£e, encontra um “objeto transicional”, que pode ser um paninho, um cobertorzinho, um ursinho, que exercer√° a fun√ß√£o de m√£e substituta. Hoje em dia os smartphones cumprem esta fun√ß√£o. S√£o objetos que suprem a car√™ncia de pessoas que se sentem sozinhas e abandonadas. Esta tend√™ncia generalizada est√° colaborando para que as pessoas fiquem acomodadas em uma posi√ß√£o narcisista, sem que se esforcem para se relacionar de forma adulta. Se por um lado as novas tecnologias facilitam a comunica√ß√£o, no meu entender, elas prejudicam, e muito, o amadurecimento do indiv√≠duo.

* Hoje temos mais medo da solid√£o?
H√° um lado positivo de estar sozinho, sem est√≠mulos externos, em contato com o mundo interior, que √© o autoconhecimento. Se n√£o abrirmos espa√ßo para estar com os pr√≥prios pensamentos, desocupando-nos de tudo o que est√° ao nosso redor, permaneceremos ignorantes de n√≥s mesmos. A consequ√™ncia disto √© a falta de autenticidade, a n√£o realiza√ß√£o de si e rela√ß√Ķes bem complicadas. Ao olharmos sempre para a tela do celular ou do computador, perdemos a pr√°tica de olhar para os outros, al√©m de n√£o olharmos para n√≥s mesmos. As t√©cnicas de medita√ß√£o, a psican√°lise e a capacidade de estar s√≥ s√£o os principais caminhos para voc√™ saber o que quer e n√£o quer para si. Antigamente t√≠nhamos mais oportunidades para esta interioriza√ß√£o. Hoje, com tantos est√≠mulos, estamos nos distanciando disto. Estamos cada vez mais sozinhos e com a intelig√™ncia emocional rebaixada. Ao inv√©s de olharmos para dentro, ocupamo-nos em consumir mais e mais informa√ß√Ķes. H√° um certo p√Ęnico com rela√ß√£o ao vazio. E, fugindo de n√≥s mesmos, desenvolvemos a s√≠ndrome do p√Ęnico, a ansiedade e a depress√£o, que s√£o as patologias do s√©culo.

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade e professor de meditação. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Os bloqueios sexuais femininos

Entrevista de Sergio Savian para o Portal MSN

E quando a mulher se sente velha e sexualmente cansada?
Todos n√≥s, homens e mulheres, depois de certa idade, temos nossas taxas de testosterona diminu√≠das. Como a testosterona √© o horm√īnio respons√°vel pelo desejo sexual, significa que quanto mais velhos nos tornamos menos desejo temos. Falando de outra maneira, uma pessoa jovem costuma ter mais vitalidade e disposi√ß√£o que uma pessoa mais velha. Podemos ter relacionamento sexual a vida toda, por√©m, devemos respeitar as condi√ß√Ķes do corpo. Por isso, o sexo depois da meia idade deve ser feito com mais delicadeza.

E quando ela tem que tem vergonha do próprio corpo?
Isto acontece sempre. Mulheres que não estão satisfeitas com seu corpo, acabam evitando o sexo e muitas vezes inventam histórias, justificando-se de outras maneiras. Ao invés de reconhecerem a vergonha, podem, por exemplo, dizer que não confiam nos homens, colocando a culpa toda neles.

E quando ela não gosta  de se despir na frente do parceiro?
Mais do que imaginamos carregamos muita repress√£o sexual. O sexo ainda √© associado a algo feio, sujo. Isto em grande parte por influ√™ncia das religi√Ķes. Com uma educa√ß√£o repressora,¬† passamos a n√£o aceitar o corpo como natural. Com muito moralismo, n√£o √© poss√≠vel ter um bom sexo. Al√©m disso, tamb√©m somos bombardeados por modelos que nem todo mundo consegue alcan√ßar. Se voc√™ n√£o for magra, sarada e com tudo em cima, fica devendo. Vivemos uma sociedade materialista que n√£o nos leva, de maneira alguma, √† uma vida amorosa satisfat√≥ria. Para se ter um bom sexo, este deve partir de outros valores, menos materiais, com menos moralismo e o reconhecimento do que √© natural.

E quando ela carrega tanto problema emocional que não tem segurança no sexo?
A pot√™ncia sexual est√° intimamente ligada √† sa√ļde mental. Uma pessoa muito neur√≥tica n√£o tem fluidez no sexo. A neurose rouba a energia que deveria ser usada no bom sexo. Por isso, se voc√™ pretende ter uma vida amorosa e sexual plena, deve tratar-se por meio de uma an√°lise, para sair do padr√£o neur√≥tico de comportamento e se entregar aos prazeres da vida.

Sergio Savian é psicoterapeuta corporal. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosvaian.com.br

Quais s√£o as li√ß√Ķes da copa para todos n√≥s?

Texto de Sergio Savian

¬†A humilhante sa√≠da do Brasil da Copa, perdendo de 7 a 1 da Alemanha e por 3 a zero da Holanda, foi t√£o impactante que vale a pena refletir sobre alguns pontos que n√£o se referem somente ao campeonato mundial de futebol, mas que refletem o nosso jeito brasileiro de ser. Afinal de contas, diante da cat√°strofe e dos fortes sentimentos que esta situa√ß√£o nos provocou, vale a pena fazer uma avalia√ß√£o e aprender. Quais s√£o as li√ß√Ķes que podemos tirar deste campeonato? O que funciona e o que n√£o funciona para todos n√≥s?

1. N√£o acredite em curr√≠culos. Com o passar do tempo, tendo conquistado o pentacampeonato, passamos a nos identificar como o pa√≠s do futebol, os melhores do mundo. Este √© o nosso curr√≠culo. Mas de que adianta as cinco estrelas bordadas em nossas camisetas se no momento atual n√£o damos conta do recado? Voc√™ se forma em medicina e tem especializa√ß√Ķes, mas, se cometer alguma imprud√™ncia grave, vai colocar a vida de algu√©m em perigo. Voc√™ √© engenheiro, fez uma boa faculdade, mas um deslize no projeto ou na execu√ß√£o da obra pode matar muitas pessoas. Por isso, voc√™ pode ter o curr√≠culo que for, mas isto n√£o garante que ter√° uma boa atua√ß√£o. O que realmente vale √© o aqui-agora do que voc√™ faz, qualquer que seja a √°rea.

2. Um dia ou outro a m√°scara cai. Antes da copa, cada um dos jogadores e o treinador, quase todos eles participaram de comerciais e programas de TV, que promoviam a sua imagem de her√≥is. A expectativa da popula√ß√£o era muito grande e com isso foi criada uma imagem ilus√≥ria de capacidade. Mas era falso. Tudo isso encobria muitos problemas t√©cnicos que ficaram na sombra at√© serem desmascarados. Perder os dois √ļltimos jogos de forma t√£o vergonhosa somente nos mostrou aquilo que n√£o quer√≠amos ver. Esta √© uma situa√ß√£o de todos n√≥s. Os pol√≠ticos agem assim, os pastores e sacerdotes agem assim, quase todo mundo age assim. Voc√™ faz car√£o, de acordo com que os outros esperam de voc√™, mas no fundo sabe que n√£o √© bem assim. Os defeitos, a sujeira, vai tudo para debaixo do tapete, at√© que um dia, inevitavelmente, aparece.

3. Avalie seu tamanho real. N√£o creio que a quarta coloca√ß√£o seja t√£o ruim assim. Afinal de contas, participamos de um campeonato que reuniu ou 32 melhores times do mundo. Se n√£o temos condi√ß√Ķes de sermos os primeiros, esta √© nossa realidade, a verdade nua e crua. Por que ent√£o ficar t√£o triste e decepcionado? N√£o seria melhor olhar com bons olhos para esta coloca√ß√£o? N√£o adianta nada voc√™ desejar ser aquilo que n√£o √©. N√£o adianta nada cobrar de si que seja o melhor, se voc√™ n√£o √©. Relaxe. Seja voc√™ mesmo, aceite sua realidade, aceite suas limita√ß√Ķes, reconhe√ßa seus m√©ritos, sem tantas cobran√ßas e julgamentos. Assuma a incompet√™ncia. S√≥ assim conseguir√° crescer e melhorar. Quem sabe um dia merecer√° o primeiro lugar? Por enquanto, n√£o! Voc√™ simplesmente n√£o √© t√£o bom quando gostaria de ser. Voc√™ √© o que √©.

4. Não durma no ponto. O que mais me impressionou nestes jogos todos é o tanto que nossa equipe dormia no ponto, perdia a bola, dava passes errados, sem prestar atenção. Que falta de precisão!  Mas esta é a cara do Brasil! Somos muito ruins em cronograma. Não conseguimos entregar as obras de acordo com os cronogramas, chegamos atrasados, perdemos as oportunidades, dormimos no ponto, falta-nos precisão. Fazemos de qualquer jeito, somos desleixados, não nos comprometemos. Se somos assim em nosso dia-a-dia como podemos desejar que na hora da copa sejamos de outra maneira? No campo ou fora do campo precisamos acordar!

5. Somos violentos. Durante muito tempo acreditamos que o Brasil era um pa√≠s pac√≠fico, que aqui n√£o havia guerra, mas n√£o podemos mais afirmar isso. Somos um dos pa√≠ses mais violentos do mundo. No campo, talvez tenhamos sido um dos pa√≠ses que mais esteve em guerra. Descemos e levamos muita porrada. Nos machucamos muito. N√£o somos civilizados. Viol√™ncia atrai viol√™ncia. √Č isso que estamos vivendo. Batemos recordes de acidentes e mortes no tr√Ęnsito. Batemos recordes de homic√≠dios. Queremos resolver tudo na briga. Queimamos √īnibus, arrebentamos os bancos, somos truculentos. E isso n√£o funciona. N√£o √© assim que vamos resolver nossos problemas.

6. Somos transgressores. O Brasil comete muitas faltas. Foi uma das equipes que mais cometeu faltas na Copa. Mas n√£o √© s√≥ no campo. No cotidiano, vivemos a cultura da transgress√£o. N√£o cumprimos a leis. N√£o respeitamos a faixa de pedestres, n√£o obedecemos as leis de tr√Ęnsito, somos corruptos. De todos os crimes cometidos, somente uma diminuta parte √© investigada, e uma parte menor ainda √© punida. Desrespeitamos o que p√ļblico, o que √© dos outros. √Č um “deusdar√°”. Ser√° que desta forma iremos constituir uma equipe ou uma na√ß√£o que d√° certo?

7. N√£o trabalhamos em conjunto. Por mais talentoso que seja cada um dos jogadores, pecamos no conjunto, na equipe. Cada um age por si e n√£o d√° certo. O pa√≠s est√° assim. Cada um se sente no direito, grupos se sentem no direito, mas n√£o respeitam o direito dos outros. Pequenos grupos fecham avenidas importantes, interrompendo o tr√Ęnsito, greves paralisam o transporte, os hospitais, as escolas, o judici√°rio. Cada um defendendo a sua parte, sem nenhuma consci√™ncia do quanto prejudicam os outros com sua a√ß√Ķes. No congresso, cada um puxa a sardinha para o seu lado e n√£o existe um projeto que seja realmente bom para a na√ß√£o. Os interesses s√£o sempre corporativos, individuais. Como conjunto n√£o somos harm√īnicos,¬† vamos muito mal.

8. A culpa sempre √© do outro. Que miopia √© essa? Temos a tend√™ncia a achar que tudo o que acontece de ruim √© por causa dos outros. O juiz √© que foi ladr√£o, a culpa √© do Filip√£o, ou sei l√° de quem. O PT acusa a oposi√ß√£o e a imprensa por sua pr√≥pria incompet√™ncia. O PSDB fala como se tivesse sido perfeito no passado. A esquerda e a direita, cada uma com sua miopia, distorcem a realidade. Na verdade, a culpa √© de todos n√≥s brasileiros, que ainda estamos muito longe de sermos aquilo que pretendemos ser. Aquele que reclama das enchentes √© o mesmo que joga o lixo na rua ou no rio. Aquele que protesta contra o governo √© muitas vezes o funcion√°rio p√ļblico relapso em sua fun√ß√£o. A elite quer tudo para ela. O pov√£o reivindica o que n√£o √© poss√≠vel. Poucos fazem sua parte.

9. A cultura da ostenta√ß√£o. Falta humildade. Os valores vigentes s√£o materiais. Falta amorosidade. Os jogadores ganham muito dinheiro e servem de modelo para os que n√£o tem. Os pol√≠ticos ganham muito dinheiro e servem de modelo para os que n√£o tem. E quem n√£o tem fica com inveja. Voc√™ quer ganhar mais para comprar o t√™nis de marca, a camiseta de marca, o smartfone de √ļltima gera√ß√£o. Os √≠dolos s√£o os que ostentam. E se voc√™ n√£o tem, quer ter. Quer ter, mas n√£o sabe ser. Os valores est√£o equivocados. Mas na hora da verdade, o que vale n√£o √© o que voc√™ tem, mas o que voc√™ √©. Ter n√£o significa que seja potente. A √ļnica pot√™ncia √© aquela que vem do ser.

10. Falta de comprometimento. O time brasileiro se mostrou totalmente reativo em seu comportamento. Ficava esperando que a solu√ß√£o viesse de fora. N√£o eram proativos. Assim somos. Reagimos √†s crises estrangeiras. Reagimos aos fatos ao inv√©s de planejar. O governo federal isenta o IPI dos autom√≥veis, incentivando a ind√ļstria automobil√≠stica, enquanto os governos municipais n√£o sabem o que fazer com tantos carros nas ruas. Destru√≠mos as matas e depois n√£o sabemos o que fazer com a falta ou excesso de chuvas. Possu√≠mos dez por cento de toda a √°gua doce do planeta, que vale ouro, e, n√£o paramos de poluir nossos rios. Santa ignor√Ęncia! N√£o temos comprometimento suficiente para sermos bem-sucedidos nem como time nem como na√ß√£o.

Eu poderia ficar aqui escrevendo mais e mais sobre a Copa e nosso comportamento enquanto nação, mas paro por aqui convidando-o a esta necessária reflexão. Vamos colocar a mão em nossa consciência e quem sabe aprendemos algumas coisa com essas derrotas.

Coisas boas. Convido-o também a reconhecer que conseguimos organizar esta copa, o que não é nada fácil. Os estrangeiros adoraram nossa recepção, nosso carinho. Tivemos a oportunidade de interagir e aprender com todos que aqui estiveram: alemães, japoneses, americanos, africanos, latino-americanos, todos eles nos ensinaram muito e funcionaram como um espelho onde podemos ver o que temos de bom e de ruim aqui. Vamos agradecer por isso!

SERGIO SAVIAN é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre sue trabalho no site www.sergiosavian.com.br

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Sinais indicam que você está numa relação apenas por comodismo

Entrevista de Sergio Savian para o Portal MSN

Comodismo pode sustentar uma relação?
Acomoda-se em uma relação quem é acomodado consigo mesmo! Você não tem coragem de ser você mesmo, não é autêntico, se contenta com pouco. Você fica encalhado, rodando em falso, em círculo vicioso, mal resolvido. Não encontra forças para  dar a volta por cima e continua onde está, mesmo que a situação não seja boa. E, se não está contente consigo mesmo, fica difícil construir uma boa relação.

Estar numa relação por comodismo pode trazer mais felicidade ou infelicidade?
Você se acomoda em uma relação porque tem um ganho secundário. Vale a pena de alguma forma. Entretanto, o preço que paga é muito alto, pois não se realiza. Fica devendo para si mesmo e este é um caminho da infelicidade.

Que raz√Ķes levam homens e mulheres a estar numa rela√ß√£o s√≥ por comodismo?
Pode ser por quest√Ķes financeiras, pode ser que voc√™ tenha auto-estima insuficiente, pode ser que seja muito reprimido sexualmente, pode se sentir inapto para conquistar algu√©m bacana. Assim, voc√™ ¬†desiste de procurar uma pessoa melhor para sua vida e se acomoda com o que tem.

O quanto há de verdade na afirmação de que a mulher tem mais facilidade de verbalizar e elaborar o fim e o homem é mais acomodado nesse sentido?
As mulheres costumam ser mais exigentes para se relacionar e, quando não estão bem, querem mudanças, e se nada é feito, acabam se separando, na esperança de ter  algo melhor. Os homens costumam ser  mais covardes para isso. Eles tem sido mais preguiçosos para se conhecer e crescer pessoalmente.

Como diferenciar os altos e baixos naturais da rela√ß√£o e os sinais s√©rios de que a rela√ß√£o esfriou de vez e deve pedir “fal√™ncia”?
Voc√™ pode culpar o outro pelo fracasso da rela√ß√£o, mas pode tamb√©m responsabilizar-se por isso. O ideal √© que o casal saiba conversar e entender a participa√ß√£o de cada um pelos acertos e desacertos da rela√ß√£o. Ningu√©m √© perfeito, as rela√ß√Ķes n√£o s√£o perfeitas. Sabendo disso, √© poss√≠vel ter intelig√™ncia e criatividade para dar a volta por cima, reinventando a rela√ß√£o ao constatar que n√£o est√° bem. Se o casal n√£o tiver esta capacidade, ou se acomoda, ou ter√° de enfrentar a separa√ß√£o.

Para as mulheres, a falta de amor é motivo para terminar uma relação? E os homens analisam todas as dificuldades de uma separação?
Não é só falta de amor o motivo. Falta de dinheiro, de responsabilidade, de comunicação, de respeito, tudo isso atrapalha muito. A boa notícia é que muitos homens hoje em dia já estão correndo atrás do prejuízo, procurando terapias para se conhecer melhor. Também existem muitas mulheres que não conseguem se enxergar na relação e assim colaboram para a falência da mesma.

Que sinais apontam que ele ou ela está na relação amorosa apenas por comodismo?
Você desiste. Não se aplica mais. Se relaciona de qualquer jeito. Não se sente motivado. Não se interessa pelo outro. Joga a toalha. Não acredita. Fica triste. Deprimido. Não se cuida. Fica mais egoísta. Falta cumplicidade. Faltam metas comuns. Conversa pouco. Falta desejo. Mau humor. Pavio curto. Excesso de crítica. Briga por qualquer coisa. Muitas cobranças. Não aceita o outro como ele é. Má vontade. Será que vale a pena viver desta forma?

Sergio Savian é psicanalista especializado em relacionamentos amorosos. saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

O nosso complexo de vira-latas

Texto de Sergio Savian

√Č bastante comum ouvirmos que o Brasil √© uma porcaria, que nada aqui funciona, que somos o fim da picada. √Č muita gente pessimista afirmando que n√£o temos jeito, que n√£o h√° sa√≠da, que nada vai dar certo.

Mas eu não creio que sejamos somente isso. Esta é uma visão distorcida da realidade.

N√£o reconhecemos nossos talentos, n√£o nos damos conta de tudo o que temos e podemos fazer.

O vira-latas é o cachorro sem pedigree, mistura de várias raças, que não é puro sangue. Até podemos dizer que somos assim. Mas isto não significa que o vira-latas não possa ser limpo, alegre, saudável, bom companheiro, leal.

Os estrangeiros que est√£o aqui nos visitando durante a copa, n√£o param de elogiar o nosso jeito de ser. Eles conseguem enxergar aquilo que n√£o vemos: alegria, solidariedade, boa vontade. √Č o que temos de melhor.

Temos belas praias, florestas, beleza humana, criatividade, sorriso no rosto, capacidade de trabalho, inteligência, musicalidade. Temos dez por cento de toda água doce do planeta!

O problema é o complexo de vira-lata! Cuidamos muito mal do que é nosso. Poluímos os rios. Jogamos o lixo nas ruas. Não prestamos atenção na educação. Somos desleixados. Roubamos. Escolhemos com o lado ruim de nós mesmos.

Ao invés de prestarmos atenção em nossas qualidades, somos dominados pela inveja. Achamos que a grama do vizinho é mais verde. Criticamos, nos acomodamos, não cuidamos.

Fazemos de qualquer jeito, somos desleixados. Acusamos, sempre achando que os outros é que são os responsáveis por nossas mazelas. Não olhamos para a própria sombra!

Na política, a oposição se faz de santa, acusando quem está no poder de todos os males do país, como se um dia esta mesma oposição não tivesse cometido deslises grotescos, bem parecidos!

Que tal ser mais realista? Que tal reconhecer os próprios erros e acertos. Que tal nos unirmos além dos interesses individuais e corporativos? Que tal não atrapalhar os outros? Que tal fazer sua parte? Que tal colaborar na construção de um país, de um mundo melhor? Que tal ser mais humilde? Que tal sair do orgulho? Que tal olharmos para o que temos de melhor e cuidar do que é nosso? Que tal fazer bem feito? Que tal sair da preguiça? Que tal ser mais amoroso?

Acredito que temos saída sim. E a saída não está na violência, na briga, na acusação, na destruição.

Ser vira-latas no sentido da missigenação de raças, de ser mestiço, não é ruim. O problema é espalhar o lixo, o seu lixo, sem se preocupar com os outros!

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Por que é tão necessário e desejável que você busque a individuação?

Texto extra√≠do do livro “O eu e o inconsciente”, de C.G.Jung

“Eu acrescentaria que n√£o √© s√≥ desej√°vel como tamb√©m √© absolutamente necess√°rio que o seja. Caso contr√°rio, sua fus√£o com os outros o levaria a situa√ß√Ķes e a√ß√Ķes que o poriam em desarmonia consigo mesmo. Dos estados de mistura inconsciente e de indiferencia√ß√£o brotam compuls√Ķes e a√ß√Ķes que se op√Ķem √†quilo que se √© realmente. Dessa forma, o homem n√£o pode sentir-se unido consigo mesmo, nem poder√° aceitar uma responsabilidade. Sentir-se-√° numa condi√ß√£o degradada, carente de liberdade e de √©tica. A desuni√£o consigo mesmo¬† √© a condi√ß√£o neur√≥tica por excel√™ncia, que se torna insuport√°vel para o indiv√≠duo e da qual ele quer livrar-se. Mas esta liberta√ß√£o s√≥ ocorre quando ele se torna capaz de agir em conformidade com o ser que ele √©. Inicialmente, o homem tem para isso apenas um sentimento vago e inseguro; no entanto, na medida em que seu desenvolvimento avan√ßa, tal sentimento se torna mais claro e forte. Quando algu√©m pode dizer, verdadeiramente, acerca de seus estados interiores e de seus atos: “Assim sou, e assim atuo”, ent√£o ter√° alcan√ßado essa unidade consigo mesmo, ainda que dolorosamente; pode assumir a responsabilidade de seus atos contra toda a resist√™ncia. Reconhe√ßamos que n√£o √© t√£o dif√≠cil quanto suportar-se a si mesmo. (“Buscavas a carga mais pesada e te encontraste” – Nietzche). No entanto, at√© esta realiza√ß√£o dific√≠lima ser√° poss√≠vel, se conseguirmos distinguir os conte√ļdos inconscientes de n√≥s mesmos. O introvertido descobre tais conte√ļdos em si mesmo, enquanto o extrovertido os projeta em objetos humanos. Em ambos os casos, os conte√ļdos inconscientes determinam ilus√Ķes perturbadoras que nos falsificam, assim como √†s nossas rela√ß√Ķes com os outros, tornando ambas irreais. Estas s√£o as raz√Ķes pelas quais a individua√ß√£o √© indispens√°vel para certas pessoas; ela n√£o significa uma simples necessidade terap√™utica, mas representa um alto ideal, uma ideia do que podemos fazer de melhor. √Č oportuno acrescentar que isso equivale ao primitivo ideal crist√£o do Reino do C√©u, que est√° “dentro de v√≥s”. A ideia b√°sica deste ideal √© que a a√ß√£o correta prov√©m do pensamento correto, e que n√£o h√° possibilidade de cura ou de melhoria no mundo que n√£o comece pelo pr√≥prio indiv√≠duo. Para dizer as coisas drasticamente: o homem que vive¬† num asilo de mendigos ou o parasita nunca resolver√° a quest√£o social.”

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br.

Que pretens√£o dizer que n√£o vai ter copa!

Texto de Sergio Savian

√Č certo que temos graves problemas pol√≠tico-econ√īmico-social-cultural-educacional-etc. √Č certo que a pol√≠tica atual n√£o nos representa. √Č certo que boa parte das nossas institui√ß√Ķes est√£o sem credibilidade.

Por√©m o grito de ordem ditatorial “N√£o vai ter copa!” vem de um pequeno grupo que tenta impor seu ponto de vista √† for√ßa, na base da viol√™ncia.

√Č isso que a maioria quer? Que n√£o aconte√ßa a copa? N√£o √© a impress√£o que eu tenho. A copa est√° indo de vento em poupa. √Č muita gente que gosta de ver um bom futebol, alegre, nervosa, emocionada, interagindo, torcendo, na f√©.

Gente de todo mundo celebrando, se divertindo.

Brasileiros, que mesmo sem falar outro idioma, se fazem entender, dando boas vindas aos irmãos de outras pátrias. Estrangeiros perplexos com o nosso jeito incrível de ser.

S√£o bilh√Ķes de pessoas envolvidas nisso. V√°rias na√ß√Ķes deixando de lado as diverg√™ncias, para conviver de forma pac√≠fica.

E um ínfimo grupo de mau humorados, esbravejam inutilmente que não vai ter copa, só porque eles assim o desejam. Que pretensão!

S√£o os mesmos que fecham as ruas e avenidas, que fecham o metr√ī, que incendeiam, quebram, batem e apanham, ignorando a maioria da¬† popula√ß√£o que sofre as consequ√™ncias dos seus atos autorit√°rios.

Que mau humor! Que raiva! Que ódio! Que inveja daqueles que sabem e querem se divertir!

Estas pessoas pensam em linha reta. Só vêem um lado da história. Acham que divertimento é ruim.

Que mania de ver o mundo de forma maniqueísta. Que mania de se achar bom, acusando o outro de mau.  

Este pensamento, além de limitado, é arrogante. Estas pessoas querem ganhar no grito, na força física, debaixo de máscaras.

São os mesmos que quando chegam no poder se comportam da mesma forma daqueles que hoje ofendem. Eles têm inveja e sede de poder.

Mas qual é o novo modelo? Em que se baseia? Na violência? No autoritarismo de pequenos grupos? Não creio!

A¬† base de uma nova organiza√ß√£o social deve ter como base a honestidade, a boa vontade, a capacidade de conviver de forma harm√īnica, de dialogar; o reconhecimento das diferen√ßas, as boas rela√ß√Ķes, a sensibilidade, o trabalho, a criatividade, a consci√™ncia, a alegria e o amor.

Por isso, ao inv√©s de ficar apontando culpados, que tal propor solu√ß√Ķes vi√°veis? Que tal participar destas solu√ß√Ķes? Que tal ser um instrumento na constru√ß√£o de outra realidade, melhor que essa?

Que tal falar de coisas sérias, mas também relaxar e gozar? Algum problema?

Que tal n√£o atrapalhar a vida dos outros?

Que tal pensar que uma hora você tem razão e noutra, não?

Que tal pensar no conjunto da sociedade e não só nos interesses corporativos ou individuais?

Pense nisso!

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre seu trabalho no site wwww.sergiosavian.com.br ou no canal do Youtube www.youtube.com/canalconteudolatente.

O gol contra do Brasil que pode dar certo

Texto de Sergio Savian

Quando o Marcelo fez gol contra, jogando com a Cro√°cia, na abertura da Copa, o sentimento foi muito ruim. Inacredit√°vel!

Passou por minha cabe√ßa que o jogador funcionou como canal medi√ļnico de certo pensamento coletivo brasileiro.

√Č muita gente que aposta contra, que reclama, que acusa, que atrapalha, que rouba, que engana, que destr√≥i, que s√≥ sabe ver o lado ruim de tudo. Esta √© uma vis√£o m√≠ope da realidade. O Brasil est√° deixando de ter qualquer no√ß√£o de civilidade e o pior √© que faz quest√£o de mostrar ao mundo sua condi√ß√£o de barb√°rie.

√Č gente mal humorada que n√£o sabe se unir, n√£o sabe se divertir, n√£o sabe construir.

√Č um ponto de vista muito limitado e burro que divide o mundo entre bons e maus.

Aqui, ninguém é santo. O bem e o mal está dentro de todos, mas, por não termos consciência disso, projetamos a própria sombra nos outros, sem olhar para o que está dentro.

O sentimento que tive na hora do gol contra é o mesmo que tenho quando vejo alguém jogando lixo na rua, nos rios, em qualquer lugar.

√Č o mesmo sentimento que tenho quando vejo o governo federal incentivando a ind√ļstria automobil√≠stica, colaborando ainda mais para os congestionamentos das cidades.

√Č o mesmo sentimento que tenho quando vejo jovens pixando tudo o que encontram pela frente ou, quando vejo v√Ęndalos destruindo o nosso patrim√īnio p√ļblico.

Fazemos gol contra ao sermos desleixados, deixando tudo para a √ļltima hora, sendo desonestos, corruptos.

Fazemos gol contra ao relutarmos em assumir compromissos.

Fazemos gol contra no servi√ßo p√ļblico de p√©ssima qualidade.

Fazemos gol contra sendo mal educados no convívio coletivo.

Fazemos gol contra sendo profundamente egoístas.

Mas, aconteceu outra coisa: a reação. Também tinha muita gente querendo que o jogo mudasse e desse certo. Muita gente torcendo a favor, acreditando. Muitas pessoas doando seu trabalho voluntário. Muito empenho, garra e fé.

Os outros jogadores foram condescendentes com o erro do Marcelo. N√£o ficaram olhando para o que n√£o deu certo. Olharam para frente.

Enfim, viramos o jogo. Ganhamos por 3 a 1. O resultado foi bom. O resultado da união de todos, da boa vontade, do trabalho dedicado, da superação.

Terminou o jogo e sai para a rua. As pessoas estavam contentes, sentindo o sabor da realização e da vitória. Bonito de ver.

Acredito que este jogo é a fotografia de nosso pais, uma bela metáfora da situação atual. Uma metáfora de como podemos prosperar.

N√£o tenho d√ļvida de que, se formos inteligentes, ainda h√° tempo para construirmos um Brasil do presente e de um futuro bem melhor. O resultado pode ser bom. O Brasil pode dar certo.

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

Juventude e segunda metade da vida: do sexo à espiritualidade

Texto extra√≠do do livro “A energia ps√≠quica”, de C.G.Jung

√Č natural que a juventude saia ganhando com a aceita√ß√£o maior da natureza do instinto, ou melhor, com o reconhecimento da sexualidade, cuja repress√£o neur√≥tica afasta as pessoas da vida de maneira totalmente injusta, ou bem lhes imp√Ķe a infeliz obriga√ß√£o, de entrar numa vida extremamente inadequada, com a qual elas t√™m que discordar.

O justo reconhecimento dos instintos normais e o respeito pelos mesmos permitem que o jovem entre na vida, envolvendo-o em destinos que o fazem avançar, fazendo-o defrontar-se com necessidades, bem como com sacrifícios e o trabalho que estas implicam, que lhe fortalecem o caráter, amadurecendo a sua experiência.

Para o adulto da segunda metade da vida, ao invés, a constante ampliação da vida não é mais obviamente o princípio apropriado, pois o declínio no entardecer da vida requer simplificação, restrição e interiorização, logo, cultura individual.

O ser humano orientado biologicamente na primeira metade da vida, gra√ßas √† juventude de todo seu organismo, tem geralmente a possibilidade de suportar a amplia√ß√£o da vida e fazer dela algo de √ļtil. A pessoa da segunda metade da vida naturalmente orienta-se pela cultura (esp√≠rito), ao passo que as for√ßas em decl√≠nio de seu organismo lhe possibilitam uma submiss√£o dos instintos aos pontos de vista da cultura (espiritual).

Na passagem da esfera biológica para a cultural, muitos sucumbem. A nossa educação de massa não tomou nenhuma medida para facilitar essa passagem. Há muita preocupação com a educação juvenil, e nenhuma com a educação do adulto. Não sabemos com que direito, sempre se parte do pressuposto de que o adulto não precisa mais de educação. Falta-lhe toda orientação nessa fase importantíssima da passagem da atitude biológica para a cultural, em que a energia se transfere do biológico para o cultural (espiritual).

O processo desta transferência é individual e não pode ser obtido à força mediante regras e preceitos gerais.

Sergio Savian é psicoterapeuta em sincronicidade. Saiba mais sobre seu trabalho no site www.sergiosavian.com.br

N√£o me permito amar porque n√£o consigo superar o antigo relacionamento

Sergio Savian fala para a Revista Nova

Como relacionamentos antigos e t√©rminos mal resolvidos dificultam novas paix√Ķes?
Quando o homem por quem esteve apaixonada se afasta de uma forma brusca ou traum√°tica, voc√™ vive uma dor emocional intensa. Perde o apoio que ele representava e √†s vezes desmorona. √Č preciso ent√£o viver o luto, ficar triste, entrar em contato com o vazio deixado pelo amado. Abrir m√£o do sonho. E cada pessoa tem seu tempo para fazer este processo. Uma coisa √© certa: somente quando aceita a perda, ao relaxar, √© que voc√™ estar√° preparada para uma nova paix√£o.

Você acredita que há muitas mulheres que se desiludem e desacreditam no amor por causa de relacionamentos anteriores a que ficaram presas?
Pode ser que você não tenha capacidade de olhar para seu mundo interior, que não entenda sua participação no término da relação. Acusa o outro por todas as desavenças. Neste caso, é bem possível que fique magoada e ressentida, fechando-se para novas experiências por muito tempo, senão para sempre.

√Č poss√≠vel seguir em frente sem pend√™ncias depois de uma grande desilus√£o amorosa (se ela foi tra√≠da, por exemplo)?
Quanto voc√™ se conhece, percebe que os amores vividos s√£o puro reflexo de uma condi√ß√£o psicol√≥gica interna. Quando se conhece, entende que ningu√©m √© santo, nem mesmo voc√™. Ningu√©m √© absolutamente bom, nem ruim. Sabendo disso, aumenta sua capacidade de enxergar e entender o outro, mesmo que ele seja imperfeito. Presta aten√ß√£o no que realmente importa e n√£o fica presa a julgamentos morais r√≠gidos. Pessoas inseguras emocionalmente tendem a ser mais exigentes nas rela√ß√Ķes. Pessoas mais seguras n√£o se abalam por pouco.

Que dicas voc√™ daria para superar a fossa e voltar ainda mais forte? Como saber qual o momento de por um ponto final no sofrimento, de “sacodir a poeira e dar a volta por cima”?
Voc√™ vai sofrer enquanto repetir padr√Ķes psicol√≥gicos neur√≥ticos. Conhe√ßo pessoas que se separaram porque se sentiam v√≠timas, e nos relacionamentos posteriores, continuaram com o mesmo tipo de sentimento. Algumas manipulam, outras s√£o perversas, umas s√£o muito r√≠gidas, outras permiss√≠veis, s√°dicas ou masoquistas. Minha dica √© que pare de olhar tanto para o outro e se questione. ¬†Voc√™ precisa saber quem √©, como funciona, e assumir sua parcela de responsabilidade. S√≥ assim ter√° condi√ß√Ķes de escolher melhores relacionamentos.

Sergio Savian é psicoterapeuta de relacionamentos. Saiba mais sobre seu trabalho em www.sergiosavian.com.br