O amor com os pés no chão

São muitos os que trabalham, estudam, têm uma vida normal e responsável, mas, quando tentam se relacionar, o fazem de maneira infantil, inviabilizando o amor. No geral são perfeccionistas, idealizam as pessoas e as relações, não conseguindo enxergar quem elas realmente são. Ao conhecer alguém, pensam ter encontrado o par perfeito, a cara metade, a alma gêmea, mas não precisa de muito tempo para se depararem com a triste realidade: o príncipe vira sapo, a princesa vira bruxa. Estes eternos românticos sofrem muito com isso, sentem-se ora vítimas, ora inadequados. Por isso, olham para os que conseguem namorar e casar com certa inveja. Por que os outros conseguem e eu não? Acusam os homens, as mulheres e até Deus por não permitir sua felicidade. Dedicando-se a uma boa análise, cedo ou tarde compreenderão que a resposta não está fora de si. Sua personalidade narcisista não deixa que ninguém de carne e osso entre em suas vidas. É preciso desmontar a história de carochinha que domina suas mentes. Em outras palavras, precisam reaprender a relacionar-se, vivendo o amor com os pés no chão.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamento

Surfando nas grandes ondas da vida

Para quem é avesso a mudanças, a vida não flui. Preso à zona de conforto, com preguiça de explorar novas possibilidades, você fica estagnado. Delimita por onde quer circular, com quem deseja se relacionar, e assim empobrece sua existência. A vida pede movimento, caso contrário cria-se depressão. Se tudo é muito conhecido, não tem para onde crescer, e assim, você desobedece a alma que pede constante expansão. Sendo amante do desconhecido, você amplia seus limites, adapta-se a outras circunstâncias às quais não está acostumado, e isto proporciona um belo sentido à vida. A adrenalina pode ser saudável, deixa-o acordado, desperto. Ao compreender isso, você adquire o gosto em cavalgar no movimento, e ao invés de reclamar das mudanças que muitas vezes não escolhe, diverte-se em surfar nas grandes ondas da vida.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamento

Existem muitas formas para você se conhecer

A vida lhe oferece inúmeras oportunidades para que você entre em contato com todas as camadas do seu ser. A natureza pode fazer bem, uma vez que ela, com toda sua sabedoria e generosidade, ensina a cada momento. Basta que você abra mão da lógica e a entenda em sua linguagem. Quando viaja, você entra em contato com outras maneiras de viver e isto pode servir como referência para você compreender-se melhor no lugar em que vive. A relação com as pessoas dão um espelho muito bom de quem você é, quais são os seus mecanismos de defesa e o jeito que funciona. Uma boa terapia proporciona o espaço ideal para que você se conheça de maneira mais profunda. É um lugar onde você não precisa disfarçar e tem a oportunidade de ser inteiro. O silêncio da meditação evidencia tudo o que você não é, e principalmente, permite que você entre em contato com sua essência. Mas, antes de tudo, é preciso que você entenda a necessidade e se comprometa com o autoconhecimento.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamento

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Prazer ou felicidade?

O prazer é sempre imediato e efêmero. Nosso lado infantil pede que seja alimentado. Vícios, comida, bebida, droga, sexo em excesso, paixões, prazeres sádicos ou até mesmo masoquistas, tudo isso tem um curtíssimo prazo de validade. Depois que passa o efeito, você quer mais. Alimentar o prazer, sem reflexão, nos faz rodar em falso. A felicidade é outra coisa. É derivada da inteligência emocional, da realização pessoal, das virtudes desenvolvidas. A felicidade não é óbvia. Vem da alma. Vem do contato com o self, o centro do seu ser. A felicidade não acontece por decreto, e só é disponível, de fato, para aqueles que têm a coragem de olhar para si mesmos com muita sinceridade.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionaemntos

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Amor e desapego da família original

Sem dúvida, a família é fundamental na formação da personalidade e do caráter de todos nós. Mas é também por sua causa que muitas pessoas não crescem. São muitos jovens que vivem eternamente dependentes dos pais e assim não permitem que relações maduras lhes aconteçam. Enquanto você não adquirir independência em relação à família original, aos afetos originais, não terá espaço para desenvolver afetos maduros, atuais.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Amor e dependência

Existem vários tipos de dependência e quando você se relaciona a partir de uma delas, coloca o outro na posição de suprir suas carências. Alguns são dependentes financeiramente e esperam que seus parceiros sejam seus provedores. Outros se comunicam mal, e por isso, usam os parceiros para comunicar aquilo que não conseguem. Sem contar os carentes afetivos que solicitam a presença do outro o tempo todo. Além disso, podemos falar em dependência química, com o uso de drogas lícitas e ilícitas, que nos afastam da essência. As dependências complementares, quando são conscientes, podem funcionar, dando liga às relações. Mas, quando não são conscientes, cria-se uma verdadeira miopia para ver o outro tal como ele é, exigindo que ele faça aquilo que você ainda não desenvolveu e lhe falta, o que gera muitos conflitos.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

As relações pedem muito jogo de cintura

Quando alguém está muito influenciado pelo julgamento do que é certo ou errado, estabelece um caráter rígido de personalidade – rigidez consigo mesmo, com os outros. Seu corpo é rígido, sua forma de pensar também. As relações pedem muito jogo de cintura, a compreensão do ponto de vista alheio, pedem perdão; e a pessoa de personalidade rígida é o contrário disso: não abre mão do seu ponto de vista, mantém uma postura moral, não facilita o andamento das relações. Sofre e faz os outros sofrerem.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Falta de limites

Algumas pessoas se relacionam invadindo a vida dos outros sem nenhuma noção da privacidade alheia. Elas trazem este modelo da sua família original, quando eram investigadas sistematicamente. “Onde você foi? Com quem estava? Por que se atrasou?” – inspecionadas, com total falta de liberdade. As relações sem limites são desrespeitosas e baseadas na desconfiança – controle total, invasão do celular, do facebook, e assim, não dá para dizer que exista amor. Conviver com alguém sem limites é complicado e exige que você se posicione o tempo todo, caso contrário, é certo que será dominado ou até massacrado. E a melhor forma de se proteger é dizer em alto e bom tom: “Pare! Não quero e nem permito que me invada. E se não parar, não ficarei mais ao seu lado!” – e, respeitando a si mesmo, cumpra a promessa.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Dificuldade em estabelecer vínculos afetivos

Podemos dizer que as pessoas que não estabelecem vínculos afetivos têm uma dificuldade originada na formação de sua personalidade. Elas possuem mecanismos para se defender do envolvimento que lhes parece muito ameaçador. Em algum momentos de suas vidas deixaram de confiar nos outros. São pessoas que se isolam, não têm paciência para conviver com as diferenças, muitas vezes têm vida sexual ativa, sem aprofundar-se nas relações. Falta-lhes paciência, tolerância ou mesmo humildade para conviver com intimidade. Estas pessoas estão fixadas em uma posição narcisista, e isto significa que vivem na ilusão de se bastar, de não precisar dos outros. Muitas vezes são hipersensíveis e têm medo de se machucar. Noutras, falta sensibilidade para a convivência íntima. Muitas nem chegam a se apaixonar, tamanha a defesa; outras, apaixonam-se com bastante facilidade, mas não conseguem ir adiante com a relação. Acionam mecanismos de defesa para escapar da intimidade. Inventam desculpas, racionalizam, acusam os outros, ficam chatas e assim por diante. Os relacionamentos na vida adulta somente vem a confirmar as questões bem ou mal resolvidas que tivemos na vida infantil. Os relacionamentos atuais costumam acontecer como extensão das relações que tivemos com a família original. Uma criança que recebe amor, introjeta este sentimento, e na vida adulta, sente que tem muito a oferecer. Na relação com nossos familiares adquirimos hábitos comportamentais mais ou menos saudáveis. Ao analisarmos a história de alguém que não consegue se vincular afetivamente, encontraremos motivos que o fizeram se retrair. Na primeira infância, até os 4 ou 6 meses de idade, não temos condições de enxergar a mãe como um ser completo, com suas qualidades e defeitos. Temos a fantasia de que ela possui tudo o que precisamos. Com o passar do tempo, nos damos conta que a mesma mãe que nos alimenta e cuida, também nos falta. Devido à imensa dependência e vulnerabilidade, desenvolvemos uma ansiedade paranóica, fantasiando a perda da mãe. A partir do segundo semestre de vida já temos condições de perceber que a mãe não é perfeita e, dependendo da história, passamos a aceitá-la da forma que ela é. Pessoas que não conseguem se vincular são perfeccionistas, estão fixadas em uma posição infantil. Não entendem que ninguém é perfeito, nem mesmo os relacionamentos o são. A timidez, a dificuldade de se comunicar, de se expressar, o excesso de preocupação consigo mesmo, a incapacidade de ver o outro do jeito que ele é, tudo isso pode levar ao isolamento, mas não é só isso. Existem pessoas bem articuladas que também não se vinculam. Estas têm outros motivos. Por exemplo, não conseguem juntar numa só pessoa as características que procuram. Buscam por um ideal que não existe. É possível tratar a anorexia emocional por meio de uma boa análise, compreendendo a própria história e os fatores que o levaram a se defender tanto do amor. É possível mudar este padrão, experimentar as relações de outra forma, diferente daquela que aprendeu em sua formação. Confiança e entrega são fundamentais. Conviver e resolver com os conflitos, uma boa dose de generosidade, e principalmente o autoconhecimento, tudo isso conta. Boa parte das pessoas que me procuram apresentam esta questão. Os tempos atuais nos proporcionam muitas possibilidades de fuga, como é o caso do vício em internet, drogas, álcool, trabalho e outras compulsões que nos ocupam e desviam do contato com a realidade. Tudo isso nos afasta da intimidade com a gente mesmo e com os outros.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Timidez e problemas de comunicação

O tímido sempre tem a impressão de que está sendo julgado pelos outros. Por vários motivos relacionados com a formação de sua personalidade, com sua história, tem a auto-estima muito baixa. Não percebe o que é real, vivendo em um mundo ilusório. Fecha-se para as relações. Não participa. Se isola. E muitas vezes apresenta-se de forma arrogante ou mesmo desajeitada para os outros. Tem medo de se expressar, de dizer o que pensa e sente. Está muito reprimido. Enquanto não passar por uma boa análise, compreendendo os motivos que os fizeram se fechar, sofrerá com este comportamento, inclusive com grande dificuldade para iniciar ou mesmo desenvolver boas relações.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos