Existem muitas formas para você se conhecer

A vida lhe oferece in√ļmeras oportunidades para que voc√™ entre em contato com todas as camadas do seu ser. A natureza pode fazer bem, uma vez que ela, com toda sua sabedoria e generosidade, ensina a cada momento. Basta que voc√™ abra m√£o da l√≥gica e a entenda em sua linguagem. Quando viaja, voc√™ entra em contato com outras maneiras de viver e isto pode servir como refer√™ncia para voc√™ compreender-se melhor no lugar em que vive. A rela√ß√£o com as pessoas d√£o um espelho muito bom de quem voc√™ √©, quais s√£o os seus mecanismos de defesa e o jeito que funciona. Uma boa terapia proporciona o espa√ßo ideal para que voc√™ se conhe√ßa de maneira mais profunda. √Č um lugar onde voc√™ n√£o precisa disfar√ßar e tem a oportunidade de ser inteiro. O sil√™ncio da medita√ß√£o evidencia tudo o que voc√™ n√£o √©, e principalmente, permite que voc√™ entre em contato com sua ess√™ncia. Mas, antes de tudo, √© preciso que voc√™ entenda a necessidade e se comprometa com o autoconhecimento.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamento

Posted in Autoconhecimento by savian. No Comments

Prazer ou felicidade?

O prazer √© sempre imediato e ef√™mero. Nosso lado infantil pede que seja alimentado. V√≠cios, comida, bebida, droga, sexo em excesso, paix√Ķes, prazeres s√°dicos ou at√© mesmo masoquistas, tudo isso tem um curt√≠ssimo prazo de validade. Depois que passa o efeito, voc√™ quer mais. Alimentar o prazer, sem reflex√£o, nos faz rodar em falso. A felicidade √© outra coisa. √Č derivada da intelig√™ncia emocional, da realiza√ß√£o pessoal, das virtudes desenvolvidas. A felicidade n√£o √© √≥bvia. Vem da alma. Vem do contato com o self, o centro do seu ser. A felicidade n√£o acontece por decreto, e s√≥ √© dispon√≠vel, de fato, para aqueles que t√™m a coragem de olhar para si mesmos com muita sinceridade.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionaemntos

Posted in Autoconhecimento by savian. No Comments

Amor e desapego da família original

Sem d√ļvida, a fam√≠lia √© fundamental na forma√ß√£o da personalidade e do car√°ter de todos n√≥s. Mas √© tamb√©m por sua causa que muitas pessoas n√£o crescem. S√£o muitos jovens que vivem eternamente dependentes dos pais e assim n√£o permitem que rela√ß√Ķes maduras lhes aconte√ßam. Enquanto voc√™ n√£o adquirir independ√™ncia em rela√ß√£o √† fam√≠lia original, aos afetos originais, n√£o ter√° espa√ßo para desenvolver afetos maduros, atuais.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Amor e dependência

Existem v√°rios tipos de depend√™ncia e quando voc√™ se relaciona a partir de uma delas, coloca o outro na posi√ß√£o de suprir suas car√™ncias. Alguns s√£o dependentes financeiramente e esperam que seus parceiros sejam seus provedores. Outros se comunicam mal, e por isso, usam os parceiros para comunicar aquilo que n√£o conseguem. Sem contar os carentes afetivos que solicitam a presen√ßa do outro o tempo todo. Al√©m disso, podemos falar em depend√™ncia qu√≠mica, com o¬†uso de drogas l√≠citas e il√≠citas, que nos afastam da ess√™ncia. As depend√™ncias complementares, quando s√£o conscientes, podem funcionar, dando liga √†s rela√ß√Ķes. Mas, quando n√£o s√£o conscientes, cria-se uma verdadeira miopia para ver o outro tal como ele √©, exigindo que ele fa√ßa aquilo que voc√™ ainda n√£o desenvolveu e lhe falta, o que gera muitos conflitos.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

As rela√ß√Ķes pedem muito jogo de cintura

Quando algu√©m est√° muito influenciado pelo julgamento do que √© certo ou errado, estabelece um car√°ter r√≠gido de personalidade – rigidez consigo mesmo, com os outros. Seu corpo √© r√≠gido, sua forma de pensar tamb√©m. As rela√ß√Ķes pedem muito jogo de cintura, a compreens√£o do ponto de vista alheio, pedem perd√£o; e a pessoa de personalidade r√≠gida √© o contr√°rio disso: n√£o abre m√£o do seu ponto de vista, mant√©m uma postura moral, n√£o facilita o andamento das rela√ß√Ķes. Sofre e faz os outros sofrerem.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Falta de limites

Algumas pessoas se relacionam invadindo a vida dos outros sem nenhuma no√ß√£o da privacidade alheia. Elas trazem este modelo da sua fam√≠lia original, quando eram investigadas sistematicamente. “Onde voc√™ foi? Com quem estava? Por que se atrasou?” – inspecionadas, com total falta de liberdade. As rela√ß√Ķes sem limites s√£o desrespeitosas e baseadas na desconfian√ßa – controle total, invas√£o do celular, do facebook, e assim, n√£o d√° para dizer que exista amor. Conviver com algu√©m sem limites √© complicado e exige que voc√™ se posicione o tempo todo, caso contr√°rio, √© certo que ser√° dominado ou at√© massacrado. E a melhor forma de se proteger √© dizer em alto e bom tom: “Pare! N√£o quero e nem permito que me invada. E se n√£o parar, n√£o ficarei mais ao seu lado!” – e, respeitando a si mesmo, cumpra a promessa.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Dificuldade em estabelecer vínculos afetivos

Podemos dizer que as pessoas que n√£o estabelecem v√≠nculos afetivos t√™m uma dificuldade originada na forma√ß√£o de sua personalidade. Elas possuem mecanismos para se defender do envolvimento que lhes parece muito amea√ßador. Em algum momentos de suas vidas deixaram de confiar nos outros. S√£o pessoas que se isolam, n√£o t√™m paci√™ncia para conviver com as diferen√ßas, muitas vezes t√™m vida sexual ativa, sem aprofundar-se nas rela√ß√Ķes. Falta-lhes paci√™ncia, toler√Ęncia ou mesmo humildade para conviver com intimidade. Estas pessoas est√£o fixadas em uma posi√ß√£o narcisista, e isto significa que vivem na ilus√£o de se bastar, de n√£o precisar dos outros. Muitas vezes s√£o hipersens√≠veis e t√™m medo de se machucar. Noutras, falta sensibilidade para a conviv√™ncia √≠ntima. Muitas nem chegam a se apaixonar, tamanha a defesa; outras, apaixonam-se com bastante facilidade, mas n√£o conseguem ir adiante com a rela√ß√£o. Acionam mecanismos de defesa para escapar da intimidade. Inventam desculpas, racionalizam, acusam os outros, ficam chatas e assim por diante. Os relacionamentos na vida adulta somente vem a confirmar as quest√Ķes bem ou mal resolvidas que tivemos na vida infantil. Os relacionamentos atuais costumam acontecer como extens√£o das rela√ß√Ķes que tivemos com a fam√≠lia original. Uma crian√ßa que recebe amor, introjeta este sentimento, e na vida adulta, sente que tem muito a oferecer. Na rela√ß√£o com nossos familiares adquirimos h√°bitos comportamentais mais ou menos saud√°veis. Ao analisarmos a hist√≥ria de algu√©m que n√£o consegue se vincular afetivamente, encontraremos motivos que o fizeram se retrair. Na primeira inf√Ęncia, at√© os 4 ou 6 meses de idade, n√£o temos condi√ß√Ķes de enxergar a m√£e como um ser completo, com suas qualidades e defeitos. Temos a fantasia de que ela possui tudo o que precisamos. Com o passar do tempo, nos damos conta que a mesma m√£e que nos alimenta e cuida, tamb√©m nos falta. Devido √† imensa depend√™ncia e vulnerabilidade, desenvolvemos uma ansiedade paran√≥ica, fantasiando a perda da m√£e. A partir do segundo semestre de vida j√° temos condi√ß√Ķes de perceber que a m√£e n√£o √© perfeita e, dependendo da hist√≥ria, passamos a aceit√°-la da forma que ela √©. Pessoas que n√£o conseguem se vincular s√£o perfeccionistas, est√£o fixadas em uma posi√ß√£o infantil. N√£o entendem que ningu√©m √© perfeito, nem mesmo os relacionamentos o s√£o. A timidez, a dificuldade de se comunicar, de se expressar, o excesso de preocupa√ß√£o consigo mesmo, a incapacidade de ver o outro do jeito que ele √©, tudo isso pode levar ao isolamento, mas n√£o √© s√≥ isso. Existem pessoas bem articuladas que tamb√©m n√£o se vinculam. Estas t√™m outros motivos. Por exemplo, n√£o conseguem juntar numa s√≥ pessoa as caracter√≠sticas que procuram. Buscam por um ideal que n√£o existe. √Č poss√≠vel tratar a anorexia emocional por meio de uma boa an√°lise, compreendendo a pr√≥pria hist√≥ria e os fatores que o levaram a se defender tanto do amor. √Č poss√≠vel mudar este padr√£o, experimentar as rela√ß√Ķes de outra forma, diferente daquela que aprendeu em sua forma√ß√£o. Confian√ßa e entrega s√£o fundamentais. Conviver e resolver com os conflitos, uma boa dose de generosidade, e principalmente o autoconhecimento, tudo isso conta. Boa parte das pessoas que me procuram apresentam esta quest√£o. Os tempos atuais nos proporcionam muitas possibilidades de fuga, como √© o caso do v√≠cio em internet, drogas, √°lcool, trabalho e outras compuls√Ķes que nos ocupam e desviam do contato com a realidade. Tudo isso nos afasta da intimidade com a gente mesmo e com os outros.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Timidez e problemas de comunicação

O t√≠mido sempre tem a impress√£o de que est√° sendo julgado pelos outros. Por v√°rios motivos relacionados com a forma√ß√£o de sua personalidade, com sua hist√≥ria, tem a auto-estima muito baixa. N√£o percebe o que √© real, vivendo em um mundo ilus√≥rio. Fecha-se para as rela√ß√Ķes. N√£o participa. Se isola. E muitas vezes apresenta-se de forma arrogante ou mesmo desajeitada para os outros. Tem medo de se expressar, de dizer o que pensa e sente. Est√° muito reprimido. Enquanto n√£o passar por uma boa an√°lise, compreendendo os motivos que os fizeram se fechar, sofrer√° com este comportamento, inclusive com grande dificuldade para iniciar ou mesmo desenvolver boas rela√ß√Ķes.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Vaidade

Na vaidade, ao inv√©s de investir em seu pr√≥prio crescimento pessoal, voc√™ coloca a energia na est√©tica, no status. A vaidade n√£o o leva a nada a n√£o ser a uma depend√™ncia cada vez maior da aprova√ß√£o dos outros. Assim, a refer√™ncia √© sempre exterior, ficando ref√©m do julgamento alheio. Voc√™ fica mais preocupado com a imagem do que com a ess√™ncia. A vaidade tem muitas caras: beleza, poder, intelecto, espiritual. O problema √© que assim, voc√™ n√£o consegue estabelecer boas rela√ß√Ķes, que dependem muito mais da conex√£o com o que √© mais profundo e verdadeiro. Vaidoso, voc√™ n√£o vai resolver o que √© importante em sua vida, em suas rela√ß√Ķes. Uma imagem n√£o pode amar outra imagem. O amor s√≥ acontece de alma para alma. E √© com esta que voc√™ precisa se encontrar.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos

Exigência e perfeccionismo

O perfeccionismo √© uma ilus√£o que inviabiliza as rela√ß√Ķes. Somente aqueles que n√£o conhecem a realidade humana √© que buscam a perfei√ß√£o de si mesmos, do outros e dos relacionamentos. √Č uma busca em v√£o. E tamb√©m uma esp√©cie de escravid√£o. Vive-se muito mal sendo perfeccionista. A exig√™ncia em excesso se torna uma tortura. Voc√™ luta contra o fato de que todos somos imperfeitos. Eu sou imperfeito, voc√™ √© imperfeito, as rela√ß√Ķes s√£o imperfeitas. Estamos todos em um processo de aprendizagem e crescimento. Ao entender isso, voc√™ se liberta. Para de cobrar tanto de si mesmo e dos outros e estabelece rela√ß√Ķes apoiadas na aceita√ß√£o, no amor.

Sergio Savian – psicanalista especializado em relacionamentos